Você sabia que Guaratinguetá já teve uma ponte de ferro que durou 95 anos?

Hoje gostaríamos de compartilhar com você uma curiosidade. Inaugurada em 1892, no auge do café e da ferrovia, a Ponte Metálica sobre o rio Paraíba do Sul era a principal ligação da cidade. Ela substituiu a travessia de balsa e madeira e ligou a cidade velha à cidade nova, a estação aos bairros que cresciam.

Ela foi feita para carroças, pedestres e carros leves. Mas com o tempo passou a receber caminhões e ônibus cada vez mais pesados, sem reforço. Corrosão, umidade, cheias do Paraíba e falta de manutenção foram enfraquecendo os pilares. E então, em 18 de outubro de 1987, um dos pilares cedeu e parte da ponte desabou no rio. Por um milagre, não houve vítimas, apesar do movimento intenso todos os dias. Mas a imagem da estrutura retorcida no rio ficou na memória de toda a cidade.

A cidade não ficou isolada porque já tinha outra travessia: a Ponte Dona Rosinha Filippo, que liga a Praça da Bandeira à Avenida João Pessoa. Ela foi começada em 1978, no governo Paulo Egídio Martins, e terminada em 1982, no governo Paulo Maluf. Por isso foram dois governadores diferentes.

Em 1992, no governo do governador Luiz Antônio Fleury Filho e do prefeito Antônio Gilberto Filippo Fernandes, foi construída ao lado a Ponte Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, de concreto/vigas metálicas. O que sobrou da ponte metálica não foi demolido. Virou patrimônio afetivo, mirante e palco de eventos culturais, convivendo lado a lado com a ponte nova. Memória e função, juntas.

A ponte metálica resume um ciclo que se repete no Brasil: nasce como símbolo de progresso, é usada até o limite, e cai por falta de manutenção compatível com sua idade e seu uso. Você atravessou a ponte metálica antes de 1987?

Fontes: Trabalho de Graduação UNESP – Estudo comparativo do patrimônio arquitetônico e do crescimento da malha urbana de Guaratinguetá 1930-2018; Prefeitura de Guaratinguetá; ALESP; INCOR.